
Iggy Pop durante apresentação de sábado, no Planeta Terra
Todo mundo quis um pedacinho do Iggy Pop no show mais esperado da 3ª edição do Festival Planeta Terra, realizado na noite de sábado, no Playcenter, que reuniu (segundo a organização do evento) cerca de 17 mil pessoas, em 22 horas de apresentações.
O público, que já vinha se aquecendo com as músicas superdançantes do Primal Scream e com guitarras potentes e ultradistorcidas do Sonic Youth, estava a todo o vapor na hora que a lenda viva do rock entrou em cena.
Era possível sentir no ar a tensão e ansiedade de fãs que mal podiam esperar por vê-lo. Quando Iggy finalmente deu o ar da graça nos palcos eis que se ouvia gritos de incredulidade ensandecidos —inclusive pela que vos escreve.
Logo de cara, Pop lança Raw Power e faz a plateia delirar, pulando e cantando a plenos pulmões. Outros clássicos de seu tempo de Stooges, como Gimme Danger, Search and Destroy, 1970 e Funhouse viriam em seguida.
Mas, o ponto alto da apresentação foi durante a “Shake Appeal”, quando ele convidou a galera a subir ao palco e curtir junto com ele. Começou então uma corrida de fãs enlouquecidos pela idéia de tirar uma casquinha de seu grande ídolo.
Cada vez mais pessoas tentavam pular a grade não respeitando quem ou o quê estivesse em seu caminho. Nessa “brincadeira” muitos acabaram machucados e fotógrafos tiveram seu equipamento danificado. O empurra-empurra irracional se intensificava à medida que a música chegava ao seu final.
Enquanto observava o povo dançando e se deleitando com sua oportunidade única, avisto um cabeludo loiro que conseguiu abraçar o Iggy em pessoa e depois desmaiou. Soube depois que este rapaz é meu amigo Luiz, um super fã do Sr. Iguana, que me explicou o que aconteceu.
“Eu não desmaiei coisa nenhuma. Eu fingi, porque eu já tinha levado tanta porrada dos seguranças, que resolvi forjar meu desmaio pra não apanhar mais”, contou-me ontem, quando liguei preocupada para saber se ele estava bem.
Depois de contido o tumulto, o show continuou com músicas como Skull Ring, The Passenger, Johanna, Lust For Life e, claro, I Wanna Be Your Dog, com direito a Iggy de joelhos no palco imitando um cachorrinho e, como de costume nos palcos, pagando cofrinho.
Se não fosse pelo tumulto e truculência dos seguranças do local, seria possível dizer que o show foi impecável. De qualquer forma, o que vai ficar marcado na memória do público que vivenciou esse show histórico é o quão bom foi chegar tão próximo de ninguém menos que o precursor do punk.